Agora é a hora de investir em um negócio?

13/05/2016

Devo investir num novo negócio agora ou esperar a crise passar?
 
Escrito por Antonio Carlos Perpétuo, especialista em empreendedorismo
 
Se olharmos pela perspectiva de que o Brasil passou por inúmeras crises nas últimas décadas, com alguns analistas contabilizando até mais de quarenta, numa linha de raciocínio bem simplista, podemos concluir que, se todos os empresários esperassem o fim das crises para fazer investimentos e abrir negócios, talvez o Brasil hoje tivesse uma economia do tamanho da Bolívia!

Mas o receio é geral e há motivos reais para tanto, já que investir em tempos de crise aumenta os riscos e demanda cuidados adicionais. Na realidade, mesmo nas crises mais agudas, muito dificilmente ela é generalizada e atinge igualmente todos os setores, com raras exceções. Na crise atual, temos o exemplo do agronegócio, de alguns serviços, do mercado online e muitos outros, sem contar os escritórios de advocacia na área criminal, em consequência da Lava Jato.
 
Negócio já em operação
 
Se o negócio já está operando, a prudência recomenda que os investimentos planejados tenham os seus cronogramas revistos de forma a preservar o fluxo de caixa da empresa. Este é o ponto: rever as expectativas de receita de forma realista e buscar sempre preservar o caixa, pois é o oxigênio que garantirá a sobrevivência da empresa até que a crise passe.
 
Mas isso não significa paralisia, pois muitas oportunidades surgem durante uma crise e devem ser aproveitadas. Caso não seja para ganhar mercado, pode ser para se preparar para fazê-lo assim que o mercado retomar o ritmo. Sem contar que é durante os momentos de crise que a criatividade para a redução de custos, inovação e ganhos de produtividade surgem com toda a sua força.
 
Há alguns anos visitei um grande empresário, judeu e octogenário, e na parede atrás de sua mesa havia um quadro com os seguintes dizeres: “Crise é aquilo que paralisa e cega os meus concorrentes. Quando a crise passa, descobrem que evoluí tanto que será impossível me alcançar”. Nunca me esqueci dessa frase e a apliquei com sucesso nas inúmeras crises que já vivi neste Brasil.
 
Negócio novo
 
Numa outra situação, se você está pensando em abrir um novo negócio, também há muitas oportunidades, embora outros fatores devam ser considerados. Se o negócio que você pensa em iniciar faz parte de um mercado maduro, com muitos concorrentes já estabelecidos, e está sendo afetado pela crise, a prudência recomenda que o investimento seja adiado, a menos que o seu diferencial realmente lhe dê uma vantagem competitiva enorme e seja de fácil percepção pelos seus futuros clientes.
 
Se o setor é maduro e está sofrendo com a crise, significa que todos os concorrentes estão lutando pela sobrevivência, imprimindo agressividade comercial, redução de margens, inovações e ganhos de produtividade. Entrar nesse momento significa disputar arduamente cada cliente com concorrentes muito mais experientes do que você e, nesse caso, as suas chances serão pequenas. Adie o investimento e multiplique o seu capital enquanto aguarda dias melhores.
 
Se a sua ideia é inteiramente nova e ainda será testada no mercado, adie também o investimento, pois em tempos de crise as pessoas arriscam, experimentam e investem muito menos, e você corre o risco de enterrar uma ideia que poderia ser um sucesso, apenas porque começou no momento errado.
 
Mas, se o seu negócio está num setor relativamente novo, com poucos concorrentes, baixo índice de penetração - ou seja, com mercado potencial ainda pouco explorado -, e ainda apresenta bons índices de crescimento mesmo em meio à crise, você deve investir e aproveitar algumas oportunidades que só as crises proporcionam, como a drástica redução dos aluguéis e a disponibilidade de excelentes profissionais com salários reduzidos. Nestas situações, vale investir agora, mesmo que seja com um plano de negócios mais conservador.

Encerro lembrando uma famosa frase de Henry Ford: “Obstáculos (crises) são aquelas coisas medonhas que você vê quando tira os olhos de seu objetivo.” Bons negócios!
 
Por: Antonio Carlos Guarini Perpétuo

Fonte: Exame.com

 

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