Por que sua empresa corre o risco de não chegar a 2020

08/12/2017

 


Foto: Vinícius Cordeiro / Divulgação

Até 2021, 40% das empresas que são atualmente líderes de mercado terão desaparecido. E a razão disso é o que os gurus da administração chamam de "destruição criativa". Quem corrobora tal previsão é Luís Rasquilha, CEO da Inova Consulting. Essas companhias não serão engolidas pelas concorrentes diretas, muito longe disso. Serão deixadas para trás por empresa novas, que provavelmente nem existem ainda, mas que aparecerão perfeitamente inseridas à realidade do mercado.

Já estamos experimentando o início dessa transição. Basta lembrar da gigantesca Kodak, que sucumbiu na era digital. Ou da decadente Nokia, que demorou a perceber que os aplicativos seriam o espírito dos smartphones, algo que ficou evidente ainda em 2007, quando a Apple surgiu com o iPhone.

“Ou as empresas mudam e se adaptam a esse novo mercado, ou virá outra mais relevante e a engolirá. Não dá para fazer as coisas como sempre foram feitas”, disse Raquilha durante o 18º Congresso da Federção das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Veja, por exemplo, o caso da Tesla, uma companhia que tem revolucionado o mercado automobilístico em pouquíssimo tempo.  Mas que nova realidade é essa que chega tal qual um rolo compressor, esmagando quem está pela frente? É a realidade de um mundo conectado, de informações instantâneas, de pessoas que produzem e recebem conteúdo de maneira ininterrupta.

O consumidor que floresceu nessa nova era tem livre arbítrio, deixou de ser fiel.“Uma empresa que só produz carros elétricos, monta apenas três modelos e vale mais do que a GM, um dos ícones de nossa economia moderna. Se isso não é disruptivo, eu não sei o que é”, disse Eduardo Terra, outro palestrante presente ao congresso, que preside a Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). 

É o consumidor que dita o que deseja, não são mais as empresas que dizem o que eles devem consumir. Em cidades da Alemanha o poder municipal decidiu instalar semáforos no chão. Não adiantavam campanhas pedindo aos pedestres para não atravessar a rua olhando para o celular. O jeito foi se adequar aos novos hábitos.

“As empresas precisam entender o comportamento desse novo consumidor e oferecer exatamente aquilo que eles querem comprar. As empresas precisam se adaptar às pessoas, mas isso só vai acontecer se comprarem a ideia de que o mundo mudou”, disse Rasquilha.

Poucas companhias estão conectadas às novas necessidades dos consumidores. Segundo o CEO da Inova Consulting, 80% dos novos produtos colocados no mercado mundial não emplacam. Para ele, os empresários precisam se perguntar o quanto seus produtos estão sendo relevantes para aqueles que pretendem atender.

“São poucas as empresas no mundo que sabem dizer se realmente são relevantes, que têm a certeza de que oferecem algo diferente para o mercado. A realidade é que a maioria vende mais do mesmo”, afirmou o CEO. Os empresários precisam sair da zona de conforto. Algo perfeitamente possível. A Godrej, empresa indiana que fabrica geladeiras, nunca conseguiu fazer suas vendas deslancharem.

Seus donos então decidiram ir às ruas para entender o que acontecia e se depararam com questões culturais. Grande parte da população indiana não estoca comida. Uma outra fatia, nem acesso à energia tem. Com essa informação, a Godrej lançou a chotukool, uma geladeira compacta à bateria. Algo inusitado, que foi de encontro com as necessidades daquele público, e que ajudou as vendas a triplicarem. Bastou entender o que as pessoas queriam.

Claro que nem sempre isso é tão óbvio. Por isso, segundo Rasquilha, as empresas precisam investir em pessoas com pensamento crítico, que desafiem o óbvio. Pessoas que identifiquem oportunidades viáveis e tomem decisões. “Empresas e profissionais inflexíveis às mudanças não terão espaço nesse novo mercado”, disse.

A maneira mais garantida de entrar nesse mercado é por meio da inovação, garante Rasquilha. Inovação não é uma ferramenta tecnológica  tecnologia é commoditie, o que se faz com ela é o que vai fazer a diferença. Ou seja, inovação é uma forma de pensar. “Inovar pressupõe transformar ideias em coisas, em produtos. Para isso é preciso processo, recursos e fórmula de rentabilidade, porque temos de sobreviver”.

O que se percebe hoje é que a inovação se divide em vertentes, sendo a disruptiva a mais promissora. Esta pressupõe oferecer ao mercado algo a que ele nunca teve contato. Mas apenas 10% dos produtos e serviços oferecidos se encaixam nessa categoria, o restante é aperfeiçoamento de produtos e serviços conhecidos.

NA PALMA DA MÃO

Em 10 anos ou 20 anos, prevê Rasquilha, ninguém mais saberá o que é cartão de crédito ou boleto. Bancos e companhias de seguro já estão trocando trabalhadores por robôs, que são mais ágeis, trabalham 24 horas.

"A próxima grande transformação será a forma como pagamos”, afirma o consultor Eduardo Terra. Em sua visão, o celular é hoje praticamente um instrumento de cidadania, sem o qual não será possível consumir.

Citou como exemplo o Grupo Pão de Açúcar, que lançou neste ano o aplicativo Meu Desconto, por meio do qual os clientes da rede varejista recebem em seus celulares descontos exclusivos de acordo com seus hábitos de consumo.

Quem adquire muita cerveja recebe mais e melhores descontos sobre produtos do tipo, assim como quem é vegetariano é notificado sobre promoções referentes a seu modo de vida. “Cada vez mais o relacionamento do comércio será via smartphones por meio de aplicativos.” De acordo com levantamentos do Google, 42% dos consumidores já usam celulares dentro das lojas para pesquisar preços e informações.

Terra afirmou, porém, que o fato de o consumidor ser mais digitalizado não significa que esteja mais sofisticado: é somente uma nova forma de comprar. “Para este novo consumidor não existem canais, existem marcas”. Em outras palavras, é um consumidor que não entende limitações entre os online e offline.  

Na fronteira das pesquisas, cientistas estão conectando cérebros à internet. Há softwares em operação que realizam 7 mil entrevistas de emprego por hora. Empresas já estão implantando chips para rastrear funcionários e permitir que entrem em locais restritos.

O Big Data está aí, as impressoras 3D fazem o futuro surgir na frente dos nossos olhos, criando de peças de roupas até órgãos artificiais. E a sua empresa, está apta a entrar nessa nova realidade? “Quem não se adaptar, não chegará a 2020.”

Fonte: Diário do Comércio

 

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